sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Que falar sobre a Morte?

TANATOLOGIA

· Compreendida como a área de estudos sobre a morte;
· O termo foi utilizado pela primeira vez por Maeterlink, buscando compreender a questão dos “horrores” da morte, as torturas e as memórias insuportáveis da dor;
· Sua faceta prática envolve o cuidado de pacientes no fim da vida, os processos de luto antes e depois da morte, e temas como suicídio, comportamentos autodestrutivos, eutanásia e suicídio assistido.

TANATOLOGIA NO BRASIL

· No Brasil, a área da tanatologia teve Wilma da Costa Torres (1934-2004) como pesquisadora pioneira, que discorre e pesquisa sobre temas como luto, suicídio, pacientes em estágios avançados de doenças terminais e profissionais de saúde;
· Em 1970, Wilma Torres, começou a desenvolver e publicar pesquisas referentes ao desenvolvimento do conceito da morte em crianças nos vários estágios de suas doenças, sua principal área de pesquisa.
· Em 1980, foi fundada a ABRATAN (Associação Brasileira de Tanatologia). E, em 1981, Wilma criou o primeiro curso de especialização em Tanatologia no Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP) da Fundação Getúlio Vargas com vários temas sobre a morte;
· Mais tarde com o fim do ISOP, Wilma passou a desenvolver suas pesquisas na UFRJ, onde criou o núcleo de estudos e pesquisas em tanatologia.

PACIENTES FORA DE POSSIBILIDADES TERAPÊUTICAS

· O conceito de Paciente Terminal em desuso — Nada mais há a fazer...;
· Visão estereotipada deste termo, referindo-se a pacientes que apresentam doenças com prognóstico reservado;
· O termo Paciente Fora de Possibilidades Terapêuticas parece ser mais adequado pois abrange toda uma área de cuidados, vinculada simultaneamente às esferas física, psíquica, social e espiritual, controlando sintomas e promovendo qualidade de vida.

ELISABETH KUBLER-ROSS (1926-2000)

Uma das principais teóricas no campo da tanatologia foi Elisabeth Kubler-Ross. Chamada por alguns autores de revolucionária da morte do Século XX, em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer” faz uma sequenciação no processo de enfrentamento de perdas significativas. Os estágios descritos por ela são:

I- Negação: Primeira reação do paciente ao receber uma notícia má. Funciona como um amortecedor, uma anestesia temporária para ganhar forças e mobilizar defesas;
II- Raiva: Nesta fase, observam-se comportamentos de raiva, ressentimentos por seus projetos de vida terem sido interrompidos, é quando surge a pergunta: Porque eu?;
III- Barganha: O paciente geralmente apresenta bom comportamento em busca de uma recompensa como a doença ser vencida. O que se busca aqui é um prolongamento da vida ou o desejo de alguns dias sem dor ou sem males físicos;
IV- Depressão: Observa-se enfraquecimento generalizado, sensação de esvaziamento e perda. Há tanto a depressão reativa a uma má notícia, como uma depressão que é uma preparação para o que está vindo, para a inevitabilidade da morte e separação para tudo que é querido;
V- Aceitação: “Será possível aceitar a morte como um fato?”. Kubler- Ross, propôs esta última fase como um processo de desligamento do mundo, não como fuga, mas como preparação para uma grande ação. O paciente quer se afastar da família, apenas por proteção, é aqui que quem mais precisa de cuidado é a família.

LUTO

· A morte do outro configura-se como a vivência da morte em vida;
· A Perda e a sua elaboração são elementos contínuos no processo de desenvolvimento humano;
· As manifestações diante da perda e do luto sofreram alterações no decorrer dos tempos, cada cultura apresenta algumas prescrições;
· Fases do Luto de acordo com Bowlby (1985), na tentativa de alguma normatização:

1- Fase de choque;
2- Fase do desejo e busca da figura perdida;
3- Fase de desorganização e desespero;
4- Fase de alguma organização.

· O tempo de Luto é variável e em alguns casos pode durar anos, pode–se dizer que, muitas vezes, o processo de luto nunca termina;
· “Luto Antecipatório” – O processo de Luto ocorre com a pessoa ainda viva, com ambas as partes, os então chamados Pacientes fora de possibilidades terapêuticas;
· Alguns aspectos relacionados ao luto:
- Fatores de Risco para um Luto complicado;
- Luto no contexto hospitalar;
- Luto não autorizado;
- Cuidado dos enlutados: Psicoterapias.

“O Luto não é um conjunto de sintomas que começam após uma perda e, então desaparecem. Envolvem uma sucessão de quadros clínicos que se mesclam e se repõem uns aos outros.” ( Parkes, 1986)

DAME CICELY SAUNDERS (1918–2005)

· Fundadora do movimento moderno de Hospice, o primeiro intitulado por St. Christopher’s em 1967;
· Influenciou muito os cuidados em saúde ao redor do mundo, bem como gerou novas atitudes em relação à morte, ao morrer e diante da dor, da perda de um ente querido, isto é, o período de Luto;
· Humanismo profissional.
· Grande pioneira no desenvolvimento dos estudos:
- Cuidados paliativos;
- Hospices;
- Novo olhar sobre a dor : “ Dor Total”;

CUIDADOS PALIATIVOS

Constituem-se modalidades de cuidado e assistência no período final da vida, a partir de princípios diversos dos de uma medicina preeminentemente curativa, o que significa um movimento relacionado com a re-humanização do processo de morrer.
Tem como Princípios Básicos, estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS):
· Afirmar a vida e considerar a morte como um processo normal;
· Não apressar ou adiar a morte;
· Oferecer alívio da dor e de outros sintomas que causem sofrimento;
· Integrar os aspectos psicológicos, sociais e espirituais nos cuidados aos pacientes;
· Oferecer um sistema de apoio para ajudar o paciente a viver tão ativamente quanto possível até a morte;
· Apoiar a família no enfrentamento da doença do paciente e no seu próprio processo de luto.

Os hospices, instituições especializadas no cuidado a pacientes gravemente enfermos, mostram-se uma das principais modalidades de atendimento baseada no ideal de cuidados paliativos. Essas instituições têm como objetivo principal aliviar a dor e controle de sintomas dos pacientes que, diante da não possibilidade de cura, se encontram no fim da vida.

MODALIDADES DO PROGRAMA “HOSPICE”

· Atendimentos centrados em hospitais
Equipes de Consultoria: Prestação de serviços de consultoria especializada para hospitais no cuidado paliativo a pacientes sem possibilidades terapêuticas.
Área de Cuidados Paliativos: Área de um hospital reservada ao tratamento baseado nos princípios de cuidados paliativos.
· “Hospices” Independentes: Unidades de internamento temporário com a presença constante de familiares e equipe treinada em cuidados para alívio dos sintomas e qualidade de vida.
· Centros de Vivência: Espaços de convivência e socialização bem como de atendimentos ministrados em regime de ambulatório, podendo estar acoplados a hospitais.
· Programas Domiciliares – “Home Care”
* O Home Care pode ser compreendido como uma modalidade contínua de serviços na área de saúde, cujas atividades são dedicadas aos pacientes/clientes e aos seus familiares em um ambiente extra-hospitalar.
* Equipes especializadas multidisciplinares em conexão com unidades de saúde.
* Os serviços domiciliares abrangem desde procedimentos simples até outros de maior complexidade.

DISCUSSÕES ATUAIS SOBRE MORTE E BIOÉTICA

BIOÉTICA

“Estudo sistemático das dimensões morais – incluindo a visão moral, as decisões, a conduta e as linhas que guiam – das ciências da vida e da saúde, com o emprego de uma variedade de metodologias e éticas e uma impostação interdisciplinar”. (Reich apud Urban, Cap I, pág. 6, 2003)
· Princípios da Bioética: Autonomia, Competência, Beneficência, Dignidade e Justiça.
· Questões específicas: Eutanásia (ativa, passiva), Distanásia, Suicídio Assistido.

EUTANÁSIA

· Do grego eu (bom) e thanatos (morte), ou seja, boa morte.
· Implica num pedido explícito e voluntário do paciente para apressar sua morte;
· Histórico da Eutanásia: princípio da autonomia;
· Argumentos contrários e favoráveis;
· Visão religiosa da morte e da eutanásia;
· Definição do momento da morte;
· Criptonásia e populações vulneráveis.

DISTANÁSIA

· Do grego dys (ato defeituoso) e thanatos (morte), ou seja, morte com maior sofrimento e agonia;
· Obstinação tarapêutica e prolongamento da vida em situação de sofrimento;
· Impactos da tecnologia e da noção de morte sobre o comportamento dos profissionais de saúde;
· Tecnologia x Humanização do processo de morrer;

SUICÍDIO ASSISTIDO

· Morte provocada pelo paciente, mas com a ajuda de outros;
· Histórico, visão religiosa e legal;
· “Doutor Morte”: Jack Kervokian;

Um comentário:

Barbara Bastos disse...

iiiii...meio mórbido mas acho que nunca tinha lido com tantos detalhes, algo sobre a morte.
Bjs
Barbara